Putz, a conta chegou! Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Rodrigo Castelão
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Chegar em casa e ver contas debaixo da porta e armários vazios precisando de comida são os principais dramas de quem mora sozinho. Para resolver esse problema, o que devemos fazer? Por isso, para morar sozinho, é preciso que você tenha consciência de quanto você pode gastar para conseguir viver bem e sem aumentar as dívidas.
Dados mostram que cerca de 40% do salário de uma pessoa é destinado exclusivamente para compras no supermercado. Que, normalmente são feitas a cada quinze dias. Em alguns casos, como a da professora Andréia Carvelho Estrella, 35 anos, que vai às compras toda a semana. “Para nós, que trabalhamos fora o dia inteiro, é complicado comer bem e com qualidade, então ou você come qualquer coisa na rua ou fica sem comer”.
“Comprar comida em pequenas quantidades não dá, porque é muito caro. A saída é comprar tudo aos poucos, toda semana”. E ainda diz que compra as coisas que não são tão perecíveis ou com prazo de validade estendido para que o alimento não estrague. Para ela, o alimento mais difícil de comprar é arroz. “Um saco de um quilo de arroz dura mais de dois meses em casa. Se você for num sacolão, não vai pedir uma laranja sendo que o cara vende só a dúzia, ou seja, é uma briga mesmo”.
Andréia se intitular como uma “natureba”, por isso, as verduras e os legumes devem estar sempre frescos. De mercado são cerca de R$300 – pelo fato de comprar coisas naturais e orgânicas, acaba saindo mais caro no final do mês, mas ela diz que vale a pena. Uma das possíveis saídas é comprar os alimentos para congelar ou os congelados. Como natureba ela conta que na casa dela ninguém encontrará um pote de lasanha congelada, por exemplo. Além disso, os produtos de limpeza e higiene podem ser comprados uma vez ao mês.
Sem contar com as compras do mercado, a professora ainda divide o orçamento doméstico com a prestação do apartamento. Tpdo mês é desembolsado R$500. O condomínio mais a água custa R$300. Com a conta de luz, ela gasta cerca de R$ 20. Gastos com carro saem a R$ 250 (gasolina e seguro). Depois de todos os deveres pagos em dia, ela ainda encontra um fundo de reserva para gastar com perfumaria. Ela chega a gastar R$400 num vidro de perfume importado. “Não acho extravagante, porque é uma coisa que eu gosto e me sinto bem. Isso é um investimento”. Além disso, gasta mais ou menos R$300 com estudos e livros, pois freqüenta um núcleo de pesquisa em São Paulo. No total, após colocar na ponta do lápis a professora gasta R$2.070.
A mesma coisa aconteceu com Mariana Plaza, 19 anos. Ela morou por dois anos com sua filha, Luana, 2 anos. Na casa ela gastava R$450 de aluguel. No começo, ela eve que comprar todos os materiais para o lar, como geladeira, fogão, armário de cozinha, sofá, entre outras coisas. Tudo foi parcelado em doze vezes de R$ 600. “O forno de microondas eu ganhei, então não precisava comprar”.
A cada mês ela deixava cerca de R$400 a R$500 no supermercado, apenas uma vez durante o mês. A única coisa que Mariana fazia toda semana era a feira, era lá que ela comprava frutas frescas para sua filha. Alimentos que a mãe não hesitava em economizar. Eram 20 laranjas, uma dúzia de bananas, três maças, duas mangas, um abacate e durava a semana toda. Nada se perdia.
Mari, como é chamada por seus familiares e amigos, comentou do arroz, que também durava muito. “Um pacote de cinco quilos de arroz durava mais de dois meses”.
Outros gastos que teve com sua filha eram com os remédios, mas Mari contava com a ajuda dos avós paternos de Luana. Hoje, Mari voltou a morar com sua mãe. Ela diz que se sentia sozinha. No orçamento de Mari era preciso um total de R$ 1.550.
Rafael Cipriano, 26 anos, mora sozinho em uma casa próxima ao Canal 1, em Santos. Ele costuma fazer compras a cada quinze dias, mas não compra nada extravagante. Rafael também gasta cerca de 40% do seu salário com idas ao mercado, mas confessa que sempre acaba estragando alguma coisa. Como trabalha fora e fica mais tempo fora de casa, ele almoça de três a quatro vezes por semana em um restaurante, o resultado custa R$11 por dia, quase R$44 por semana. Rafa, como é carinhosamente chamado por seus amigos, confessa que não almoça todos os dias para economizar e por falta de tempo. E novamente o arroz é comprado e, dessa vez, dura três meses.
Apenas o necessário, como alimentos e produtos de limpeza são comprados. Uma vez ou outra ele compra um doce ou algo que não seja essencial para sua alimentação ou um “mimo” para sua namorada.
Como não gasta muito com coisas que não são necessárias para o seu dia-a-dia, Rafa consegue economizar um pouco. “Agora, não tanto quanto antes, porque comprei um carro. Faltam 32 parcelas de R$150, além do seguro que sai a R$70 por mês. Estou abrindo uma empresa, então, todo o dinheiro que posso guardar, eu invisto nessas duas coisas. O carro é meu, e sou sócio numa empresa chamada Biolitoral, que faz reciclagem de óleo de cozinha”. O resto é com água, que costuma vir de R$40. Com luz são cerca de R$60. A conta de telefone é fixa em R$35 e o IPTU é R$140 por mês. O que sobra do seu salário, ele costuma ir ao cinema e ao teatro, que sai a R$50 por mês. “Teatro hoje em dia é caro”. No final da brincadeira são R$ 1.056.
A solidão bate à porta? Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Thyrslian Winnie
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Morar sozinho não significa viver sozinho. Pessoas que moram sós, geralmente estão ocupadas o dia todo, tanto por necessidade, como também buscam se ocupar de alguma maneira para não deixar a solidão bater à porta.
Um exemplo é a vida do Carlos Alberto Cid Costas, 42 anos, mais conhecido como Cid, ele mora sozinho há aproximadamente dois anos, desde que se divorciou. Ele diz que é melhor morar só, do que mal casado. Sozinho ele tem a liberdade de fazer tudo à sua maneira. “É um tempo que eu precisava pra mim mesmo. Precisava ajeitar minha vida”, diz.
Suas companhias diárias são três cachorros: Tiger, um rottweiler, Torben um Akita e Arina, que é uma mistura de pitbull com dálmata. É por causa deles que Cid acorda todos os dias por volta das sete da manhã. Ele os alimenta, limpa suas “sujeiras” e aproveita o pique para lavar o quintal de sua casa. “Todo dia é a mesma coisa”, afirma.
Cid mora na cidade de Praia Grande em uma casa espaçosa e confortável. Isso contribui para que ele faça o que gosta muito: chamar seus amigos para um bom churrasco. Lá eles têm vídeo-game, computador, filmes em DVD, um quintal que vira campo de futebol e o principal, a companhia de uns aos outros. Alguns até pernoitam, porque geralmente esses eventos são feitos aos sábados e, aos domingos pela manhã, eles já precisam estar reunidos na igreja.
Isso não é tão freqüente porque Cid tem uma vida bastante ocupada. Ele trabalha em uma construtora de sua cidade, das 8 da manhã às 6 da tarde, e também, faz parte do Setor de Inteligência de Segurança do Memorial de Santos.
“Só vou pra casa praticamente pra tomar banho e dormir”, comenta. Depois que sai de seu emprego, ainda tem seus compromissos na igreja que freqüenta, onde fica a maior parte do tempo. Quando tem um tempo livre em casa, ele lê a Bíblia e quando dá, assiste programas de esporte na TV.
Cid tem dois filhos: Ana Beatriz, de 12 anos, e Carlos Eduardo, de 8. Ele os vê todos os dias, mas é de 15 em 15 dias que tem o seu tempo dedicado totalmente a eles. “Nós costumamos sair pra almoçar, passeamos bastante, nos divertimos muito”, diz ele.
Outro exemplo de quem mora sozinho, mas não pára em casa é Davi Martins, de 23 anos. Ele mora sozinho há 5 meses por motivo de trabalho. Davi é editor em um estúdio de TV, pertencente à sua igreja. Ele trabalha das 9 da manhã às 6 da tarde e almoça lá mesmo. Fora a sua carga horária normal, às vezes ele coopera com sua igreja, trabalhando na mesa de som.
Davi também dá aulas de street dance pela região da Baixada Santista sem dias definidos. Além de viajar para dar seminários e workshops de dança, ele é coreógrafo de um grupo de um cantor gospel.
Gosta muito de morar sozinho, por poder ter a liberdade de fazer o que quiser e deixar a casa de acordo com seu gosto. “É muito bom poder ficar à vontade, ter as coisas do meu jeito. Sou uma pessoa muito organizada. Quando morava com as minhas irmãs, elas eram muito bagunceiras e isso me irritava, conta”. Davi considera que morar sozinho é uma grande experiência de amadurecimento.
A única coisa que ele acha ruim é ter que fazer os serviços domésticos, pois precisa arrumar tempo para preparar suas aulas e coreografias. Mesmo assim, consegue tempo para ler a Bíblia, assistir filme, ouvir música, sair com os amigos de vez em quando e namorar.
Davi diz ser uma pessoa muito reservada, prefere ficar a maior parte do tempo sozinho, mas não se sente só. Sempre está ocupado. Seus fins de semana são recheados de ensaios. Ele é totalmente ligado à música. Além de seus compromissos com a dança, canta em sua igreja.
Segundo a psicóloga Jussara Villardo Vieira, 52 anos, não há como generalizar a questão de morar sozinho. Algumas pessoas, geralmente os mais jovens, optam por isso por ter em sua personalidade, a característica de ser independente, ter a liberdade de fazer o que quiser, ter seu próprio canto. Por outro lado, existem aquelas pessoas que não tiveram escolha, que moram sozinhas por causa do emprego, ou porque não têm parentes por perto ou por tantos outros motivos. Um viúvo idoso com filhos casados, por exemplo, conseqüentemente fica só. Esse caso é o mais depressivo. Precisa muitas vezes de ajuda medicamentosa, afirma Jussara.
Esses que moram sozinhos por necessidade são geralmente os que mais precisam da companhia de outras pessoas. Tendem mais à solidão porque não escolheram estar só. Ou ainda, existem aquelas pessoas que não gostam de se socializar, se isolam. “É preciso ter estrutura interna pra segurar a onda. A terapia dá um bom suporte para quem precisa aprender a lidar com isso. A pessoa precisa saber se tem algum trauma, uma decepção muito forte que o faz preferir ficar só”, explica a psicóloga.
Jussara diz que quando a pessoa é consciente de sua introversão, se ela simplesmente prefere livros, filmes, não há problema algum. Porém, ninguém consegue viver 100% sozinho. Todo ser humano nasceu com necessidade de se relacionar. “Se morar sozinho foi uma opção, a independência é gratificante. A pessoa aprende a se organizar, cuidar de sua alimentação, a ser mais resolvida, a ser regrada, ter responsabilidades”, afirma. Ela diz ainda que a pessoa que mora só, tem muito mais tempo para refletir, se reciclar, pois está sempre em contato com ela mesma.
Quando devemos sair da asa dos pais? Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Claudio Rodrigues
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A hora chegou!
O estudante se sente pressionado pela mudança de vida e com a chegada das etapas dos vestibulares. Agora ele percebe que sair de casa não é tão fácil como imaginava. “É uma dupla sensação. Muitas vezes quero que o tempo passe o mais rápido possível para ver como vai ser essa experiência. Ao mesmo tempo fico com receio de fazer tudo sozinho, sem ninguém para me ajudar”.
Diferente de Bruno, Elisa Vidal, 19 anos, que também prestará vestibular esse ano e irá morar fora de casa, não sente tanto a pressão quanto o estudante. “Nunca tive muitos problemas em me manter sozinha em casa. É claro que é mais fácil falar agora, ou quando os pais viajam só por uma semana, o problema é na hora. Mas acredito que não terei problemas”.
Elisa também vem estudando muito nos últimos meses, o pensamento é passar em uma universidade pública e cursar psicologia. Ela foi aprovada na PUC de Campinas ano passado, mas como ainda não se sentia pronta psicologicamente e financeiramente, preferiu fazer mais um ano de cursinho, e garante que esse ano está mais preparada do que nunca. “Não estou tão encanada como no ano passado. Agora vai, estou preparadíssima!”.
Ambos não vêem a saudade como principal problema “Vai ser um pouco difícil, deixarei a família, os amigos, toda uma vida construída aqui para poder viver um sonho. Vai ser desgastante mas sei que me apoiarão nas minhas escolhas. Um novo estilo de vida faz uma pessoa crescer e aprender muito. Isso me dá forças” contou Bruno. “Hoje a comunicação está mais fácil, telefone mais barato e internet acessível. Vou sempre manter contato. A saudade vai vou tirar de letra. Tentarei visitar a família com freqüência” disse Elisa.
Mas ao contrario dos filhos, os pais de Bruno e Elisa, garantem que a distância vai ser a parte mais difícil. “Todo pai quer o filho embaixo da asa. Não estou preparado, acostumei a vê-la todos os dias” conta o pai de Elisa e empresário Hamilton Vidal. A mãe da estudante, Neila Vidal, também pensa como o marido e quer o melhor futuro para a filha, mesmo que seja afastada do ninho. O pai de Bruno, o webdesingner José Albano Falcão Mouta, vai sentir as mudanças. “Nenhum pai quer o filho longe. Nunca se esta totalmente preparado para ficar longe de um filho. Mesmo que seja por pouco tempo”.
Segundo a psicóloga Mônica Cenedesi, o momento mais difícil para pais e filhos são os primeiros meses “os dois primeiros meses são cruciais. É o tempo necessário para uma adaptação do jovem e da família também. Muita gente não agüenta a distância. Com isso, acabam largando emprego ou estudos e voltando para casa. Isso acontece quando o jovem e a família ainda não estão maduros suficientes para enfrentarem a situação”.
Essa mudança pode até acarretar em algumas fragilidades na saúde. “Não chega ao ponto de se tornar uma depressão. Mas no caso de uma simples gripe tornar-se algo mais grave, por exemplo, tanto pais como filhos podem acabar tendo conseqüências piores de quando estavam junto de seus familiares e tinham o calor humano e o conforto do lar”.
A separação costuma ser fundamental para o amadurecimento de ambos. “Os pais vão aprender a lidar com a distância dos filhos, e até mesmo aprender a passar uma data importante longe deles. As primeiras vezes podem ser sofríveis, mas com o tempo se acostumando. Já para os filhos é uma experiência e tanto. Morar sozinho, estudar fora e ter sua própria vida. Isso ajuda a crescer e amadurecer”.
A psicóloga ainda afirma que não existe uma hora certa para sair de casa e que isso vai muito da maturidade de pais e filhos. “Isso varia de pessoa para pessoa. Se pais e filhos estão prontos para isso só saberão depois que a separação ocorrer”, afirma Mônica. “Não existe como fazer um teste. O certo é em pensamento se acostumar com a falta dos filhos, porque mais cedo ou mais tarde eles vão ter que sair de casa. Seja para estudar, trabalhar ou para se casar. Mas essa separação não pode se tornar um tormento na vida de ninguém. Quem quer o melhor para o filho acaba aceitando. E no final, se não der certo, bom filho a casa torna”.
Para o pai de Bruno, o lado psicológico tem que ser trabalhado “Não digo que é o caso de ir a um psicólogo, mas de em todo momento saber que isso é o melhor para o seu filho”. Já a mãe de Elisa, acha que não tem como prever qual vai ser a reação psicológica. “É impossível dizer. Só vou poder falar sobre isso depois da partida”.
Para os dois estudantes o psicológico tem grande influência, mas que pode ser superado. “Se for pensar assim nunca vou sair de casa. Estou pronta, e esse medo não vai influenciar, afinal, vou fazer psicologia mesmo”, afirma Elisa. “Vai ser estranho, nos momentos difíceis não terei aquele colo dos pais para desabafar. Mas, a partir do momento que for superando essas dificuldades antes mesmo de partir, vou provar para mim mesmo que estou psicologicamente preparado, conta Bruno.
De acordo com a economista Cláudia Pasquineli, deve haver uma grande preparação financeira para a saída do filho das asas dos pais. “É tudo na base do planejamento. A família que não nasceu em berço de ouro deve se planejar cedo. Não dá para chegar na ultima hora e o filho decide que vai estudar fora da cidade. Temos que lembrar que estamos falando de uma família de classe média”.
A economista afirma que o tempo certo para se preparar para uma mudança dessas é de um ano. “Acredito que entre um ano é possível fazer um esforço e economizar é o suficiente. Mas mesmo assim, depois que ocorrer a mudança, a família precisa estar bem estruturada, e com dinheiro reserva para caso ocorra alguma emergência. O importante é não jogar o investimento fora. O filho tem que ter certeza que esta fazendo a escolha certa, e se puder arrumar uma renda extra para ajudar vai ficar melhor ainda”.
Ela acredita que é um esforço que tem que ser feito por toda família, mas que no final vale a pena. “Muitas vezes pode ser que a família passe por um grande aperto. Mas no final todos vão ver que compensou. O jovem vai sair formado de uma boa universidade e logo vai adquirir sua independência financeira”.
O pai de Bruno crê que a parte financeira não é o maior problema. “As questões financeiras são casos resolvidos a medida que se tornem necessários. Não é a prioridade”. Já a mãe, concorda com a economista. “Tem que haver um planejamento muito grande, como não nascemos em berço de ouro ficará difícil para pagar moradia e faculdade particular. É bom que ela passe numa universidade pública, mas se não passar estamos prontos para assumir uma particular também”.
Nenhum dos estudantes soube dizer qual era a hora certa de sair de casa. Mas os dois concordam com a psicóloga, que tudo depende da maturidade da pessoa. “Me preparei para isso: realizar o sonho de estudar fora. Me sinto madura o suficiente”, afirma Elisa.
“Para mim, a hora certa chegou Me sinto pronto, diferente do ano passado, quando não estava. Se deixar para depois não vou adquirir tanta experiência”, finalizou Bruno.
Família por opção Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Diogo Venturelli
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Se Raphael se acomodava para ver TV quando chegava em casa, ela logo arranjava um lugar ao lado no sofá, e com um jeito tímido, mas intenso, pedia por carinho. Não importava como seria retribuída, se com um afago confortável da mão que não segurava o controle remoto, ou com a bolinha laranja já cheia de marcas de dente que ele arremessava para ela buscar.
O cruzamento da alegria popular do vira-lata com traços da elegância e imponência de um Pastor Alemão define bem a personalidade de Mamila. O nome é sim uma brincadeira com os mamilos, quase que uma obsessão de Raphael. “Só de olhar uma pessoa já sei como é o seu mamilo”, brinca.
Mamila foi encontrada na rua por uma veterinária e tinha aproximadamente um ano quando foi fazer companhia a Raphael Alves de Oliveira, que mora sozinho em um apartamento no bairro Paraíso em São Paulo. Com 27 anos, ele é formado em ciências da computação e trabalha em uma agência de publicidade.
Raphael acorda por volta das 8h. A rotina de trabalho faz com que ele só volte para casa às 18h. Mas antes de ele ir para o trabalho, Mamila já o aguardava devidamente acordada para o café da manhã e o passeio diário para fazer as necessidades, que não costumava fazer em casa. “E era até engraçado porque, quando ela fazia, ela mesma se entregava e me mostrava o que ela tinha feito com uma cara de ‘você que não me levou passear, a culpa não é minha’”. Depois do trabalho, mesmo cansado, Raphael se sentia obrigado e levá-la dar outra volta no quarteirão. E dava.
Essa rotina, que se repetiu até agosto deste ano, acabou. Raphael devolveu Mamila para a veterinária porque ela estava ‘destruindo a casa’. “Ela era extremamente inteligente, abria a porta do quarto quando eu não estava em casa e comia tênis, chinelo… sem contar que era muito forte. Um dia eu cheguei em casa e o sofá (de dois lugares) estava no meio da sala. Ela precisava de muita atenção, tinha muita energia pra gastar e eu infelizmente não tinha tempo pra curtir com ela.”
Falta de tempo. Esse é o principal empecilho para quem mora sozinho e quer ter um animal de estimação. Dividir a vida com um companheiro tão carente e pouco auto-suficiente requer mais do que ração e água nova no potinho.
É o que explica a veterinária Juliane Rosa Matos. Para ela, além da alimentação distribuída conforme a rotina do dono, os passeios são fundamentais. “O animal sofre sempre com a ausência de seu dono, para suprir isto nada melhor do que ao retornar para casa, levá-lo para passear, pois ele também tem direito de sair de casa, nem que seja para dar uma volta no quarteirão. O animal necessita de atenção, carinho e muito amor”.
E planejamento é a palavra chave. Foi o que fez a designer Márcia Okida antes de trazer para o apartamento, 11 anos atrás, Nick. Um Yorkshire que faz jus ao temperamento da raça. Inteligente, obediente, vibrante e brincalhão. Foi ele o primeiro a aparecer quando a porta do elevador que dá acesso à casa de Márcia abriu. Com uma fita vermelha prendendo a franja e o olhar de estranhamento. A recepção foi calorosa e firme, digna do “homem da casa”.
Nick aprendeu desde cedo os costumes corretos, a se adequar à rotina de Márcia e até a ‘cantar’. “Quando você fala ‘nanar’ ele começa a uivar…” fato comprovado logo em seguida. Com 45 dias ele já era o companheiro da designer. “Na época eu morava com a minha irmã, e como tínhamos horários opostos cada uma ficava com ele uma parte do dia”, diz.
Depois de um tempo, já morando sozinha, Márcia percebeu que quem precisava de companhia agora não era mais ela, e sim o Nick. Foi quando chegou, seis anos mais nova, Mel. Da mesma raça de Nick, os dois fizeram uma dupla perfeita. Ele austero e decidido, ela dócil e extremamente carinhosa. Da união do casal veio Nina. Hoje com dois anos, dos três é a mais receptiva e interativa da casa.
E cuidar desse trio requer atenção e dedicação triplicada da dona. Mas Márcia sabe dividir bem a rotina dela com a dos cães. “Eu nunca deixei de fazer nada por causa deles. Quando saio de casa e sei que vou chegar tarde, deixo tudo no devido lugar arrumadinho. Mas sei que quando voltar vou ter que dar atenção redobrada, nem que para isso precise ficar uma hora a mais acordada”.
A idade já um pouco avançada de Nick e os problemas de saúde de Mel requerem ainda mais os cuidados de Márcia. “Ele faz tratamento para catarata, e ela para o rim e tireóide, por isso ficou assim mais gordinha”, explica. Mas nem isso alterou a rotina da designer. “Eu li muito sobre a raça antes de tê-los, então nada me pega de surpresa”.
O ar zen da dona e o ambiente aconchegante, rodeado de livros e reproduções de Van Gogh ajudam a deixar os cães mais serenos garante Márcia, enquanto acaricia Mel, que estava deitada em seu colo. “Eu sou muito tranqüila, e acho que o cachorro reflete muito a personalidade do dono”.
A veterinária confirma. Juliane diz também que geralmente os cachorros que ficam muito tempo sozinhos têm tendência a latir mais e fazerem mais travessuras para chamar a atenção dos donos. “São muitos os casos em que o cão aprendeu abrir a porta da sala, urinou no sofá e defecou na sala inteira, e quando proprietário chegou o local onde o animal costuma fazer isso (jornal) estavam intactos”, garante. Não é o caso de Nick, Mel, e Nina. “Aqui em casa é só no jornal, ou ali na varanda. É só acostumar desde pequeno que eles aprendem”.
Segundo Juliane, cães muito agitados necessitam, em alguns casos, de adestramento. Não descartando casos do cão que faz o errado só para chamar a atenção de seu dono. “Desde o momento em que você percebe que o animal começa a demonstrar indícios de que vai colocar a casa de ponta cabeça, nada melhor do que reverter esta situação com treinamento de obediência. Caso não tenha resultados positivos procure um especialista em comportamento animal”.
A veterinária também da uma dica para quem quer um companheiro e acha que não daria conta de cuidar de um cachorro. “Peixes são uma ótima escolha para pessoas muito ocupadas, pois um aquário bem cuidado dá menos trabalho que um cão, gato ou pássaro. Sabendo lidar com a água (pH, alcalina, ácida…), filtro, cascalho, temperatura da água e ração diária é fácil”.
“Antes de ter um bichinho você precisa ver se tem tempo para ele sem ter que tirar do seu” é o conselho da Márcia. “Ah, na hora que vocês (repórter e fotógrafa) forem não falem tchau, falem ‘vou trabalhar’.” Mais um truque dela para disfarçar a ausência de casa e não deixar os Yorks com saudade. Na despedida, como combinado, nada de ‘tchau’. Nick nos acompanhou até a porta, Mel continuou sentada no sofá enquanto Nina se distraía com com um brinquedo.

Morar sozinho. Amar ou odiar? Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Graziela do Rosário
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Barbie e Barbies
Uma corinthiana de 27 anos com uma coleção de Barbies colorindo o quarto. Um apartamento relativamente pequeno, situado nos Jardins, em meio a selva de pedra, e o canto favorito de Michela. Porque morar sozinha? Porque sim, oras.
A santista se mudou para São Paulo aos 18 anos, para estudar Administração de Empresas na faculdade Mackenzie e não quis mais voltar para Santos. Para ela, não há nada melhor do que poder curtir a liberdade de se morar sozinha. Nesse último apartamento, fez questão de cuidar de cada detalhe, desde a cor das paredes (brancas) até os menores objetos de decoração. A clareza do lugar, segundo a própria Michela, é o que reflete a sua personalidade na casa. Mas isso não fica claro de primeira. Olhando assim, meio desavisado, você imaginaria muita cor, mas como ela mesma diz, “gosto dele justamente porque ele é simples no conjunto”.
Se a decoração é simples, não poderíamos falar disso em relação ao rodízio de hóspedes que já passaram por lá. Atualmente, um primo de Michela está hospedado, mas que não chega a incomodar. “Ás vezes é bom ter alguém pra conversar, desde que não invada meu espaço. E também, nos finais de semana, eles descem, e ai eu tenho o apartamento inteiro pra mim novamente”. Pelas contas dela, pelo menos seis amigas já passaram um tempo com ela, que varia entre dois e quatro meses.
Esse “tempo” foi mais longo quando seu irmão morou dois anos com ela (quando se mudou para São Paulo) e anos depois, mais três meses. O apartamento era mais perto do trabalho dele, e não viram problema em morar juntos. Bem, quase não viram. Na primeira vez, eles brigaram muito e os pais dos dois decidiram que a hora de separar os dois, até para o caçula ter mais responsabilidade. Na segunda vez, o problema foi outro, um pouco mais “canino”.
Junto com ele veio a cachorra, e segundo Michela, eles brigavam muito, principalmente “por causa da educação dela”. Quando Michela mandou ele embora, a cachorra foi junto mas teve que voltar, porque o prédio reclamava bastante do barulho. Hoje, ela é a companhia de Michela e a solução para o medo de dormir sozinha no escuro. “Quando me mudei pra São Paulo, a luz acabou logo na primeira semana. Não tive dúvidas. Liguei pro meu namorado e dormi na casa dele. Hoje, com a cachorra, não tenho mais esse problema”.
Falando em problemas, Michela não conhece os domésticos. Sempre morou em flat, e hoje no máximo uma vez por semana, uma faxineira passa por lá, mais por causa de sujeira que a cachorra faz. Cozinhar? Não, não é o seu forte. Quase sempre come fora no almoço. Para jantar, o miojo (famoso companheiro de quem mora sozinho) é uma das opções, juntamente com pizzas e sopas. Mas na geladeira não pode faltar chá gelado, queijo e peito de peru. Michela também se define como uma pessoa organizada, e não deixa a casa bagunçada muito tempo. “Se eu me descontrolo durante a semana, dou uma arrumada no sábado, ou no domingo. Não gosto de ver a casa bagunçada”. Mas é justamente nesse sentido que ela sente falta dos tempos em que morava em Santos. “Toda vez que vou pra casa da minha mãe, tenho que comer a carne assada dela. É o que eu mais sinto falta, com certeza”.
O senso de individualidade é tão marcante na vida de Michela, que nunca pensou em morar com o ex-namorado. A relaçãoterminou faz pouco tempo e durou nove anos. Juntar as escovas de dente? Nunca falaram disso. “É até engraçado a gente nunca nem ter falado disso. Até quando comprei esse apartamento, decorei pensando só em mim, mesmo estando junto com ele tanto tempo. Acho que ele também preservava muito a individualidade dele, assim como eu”.
Apesar de mais responsabilidade, em função até das contas, Michela não troca o canto dela por nada. E apesar de adorar ter o apartamento só pra si, a solidão não é sua parceira nisso. “Sempre tem gente aqui. Meus irmãos, minhas amigas, a cachorra. Quando vim pra cá, praticamente todos os meus amigos também vieram estudar em São Paulo. Talvez por isso não me sinta sozinha. Só me sinto solitária quando eu quero mesmo”. Mas quem gosta de si mesma, nunca esta sozinha!
Um lá, outro cá
Um quarto totalmente azul, um tanto que grande, perto do tamanho do restante do apartamento de 80 metros quadrados. Totalmente escuro, com muitas roupas espalhadas por todo canto, mas com um cabideiro vazio e o guarda-roupa intacto. O despertador toca exatamente às sete horas, e um cansado advogado toma coragem para se levantar. Depois segue o mesmo ritual de todas as manhãs: uma água no rosto, um café-da-manhã mal tomado e um banho demorado. As 8h30 em ponto ele já está sentado no escritório na Avenida Paulista, e só retornará para casa às 18h.
Mas essa volta nem sempre é tão aguardada. Segundo o próprio Pedro, um dos seus maiores defeitos é a carência de companhia constante. E para uma pessoa que não gosta de se sentir sozinha, um apartamento vazio não é o melhor lugar do mundo. Não que ele não suporte ficar sozinho, mas isso já virou uma constante em sua vida. Filho único, mas com pais presentes, Pedro nunca foi de ficar sozinho. Um tanto mimado, sempre teve tudo que quis, menos um irmãozinho. Mas essa falta na vida dele, sempre foi preenchida por horas em escolas integrais, cercado de amigos, e com a família presente em casa, sempre.
Mas o menino cresceu, teve que abandonar a casa dos pais em Santos e se mudou para a maior capital do país, São Paulo. “Fiquei ainda uns dois anos subindo e descendo todo dia, mas não dava mais. Precisava do meu canto em São Paulo mesmo, principalmente porque tem dia que chego em casa cedo, mas tem dia que varo a noite no escritório. Então, era mais cansativo morar em Santos e trabalhar aqui”.
Primeiro ele dividiu um apartamento com um colega de trabalho por cerca de seis meses, mas não deu muito certo. Pedro é extremamente apartamento chegava a separar suas roupas de acordo com as cores no closet. “Isso nunca ia dar certo, nem sei porque tentamos na época”. Depois foi a vez da namorada de Pedro morar com ele. Bem, o “casamento” antecipado não ajudou no relacionamento e eles só moraram juntos por oito meses. O jeito era se conformar com a solidão.
“Olha, não é que eu não goste de morar sozinho, mas é difícil. Não sei cozinhar, não sei fazer faxina, não sei organizar a minha própria gaveta de meias. Então, de qualquer forma, preciso de alguém aqui. A Regina (a empregada) é meu anjo da guarda, mas sinto que mesmo assim, não sei “comandar” o trabalho dela. Então, deixo tudo nas mãos dela, pra não ter dor de cabeça. Só que quando tenho que me virar sozinho, ai o bicho pega”.
Falando em cozinha, o melhor amigo de Pedro não é o miojo (ele odeia, desesperadamente). O que ele mais come mesmo é pizza, sendo que em algumas ocasiões, o prato o visita até no café-da-manhã. Nada saudável, mas não faz parte das preocupações de Pedro. “É fácil de pedir, de fazer, de comer e uma das poucas coisas que eu agüento comer frio. E meus amigos também quando vem aqui, só querem pizza. Mal sabem eles, que é o que como a semana inteira”.
Mas como já foi comprovado por qualquer pessoa que convive com o Pedro, a alimentação não é o que mais lhe incomoda nessa coisa de morar sozinho. As noites no lar, que tinha tudo para ser um “lar, doce lar”, não são tão boas como as pizzas diárias. Não há televisão, Internet, livros ou música que o distraiam a ponto de ele não precisar de alguém pra conversar. As contas de telefone são exorbitantes, de tanto que ele tenta suprir uma voz amiga durante todas as noites. E para completar esse quadro, o advogado ainda sofre de insônia.
“Não conseguir dormir já é um saco em todos os sentidos, em qualquer lugar… sozinho então”. As noites sem dormir estão sendo tratadas à base de muito chá de camomila, banhos quentes e sessões noturnas na academia. Mas o que Pedro mais quer, ainda não encontrou: companhia. “Muita gente acha que é besteira minha esse lance de me sentir solitário. Acho que você foi uma das poucas pessoas que entendeu isso em mim, e por isso me abri tanto. Mas o difícil é querer dividir com alguém, e não achar uma pessoa que se enquadre na minha personalidade e no meu estilo de vida pra poder morar comigo. Enquanto isso, o jeito é ficar sozinho”.
Se enquanto isso, o jeito é ficar sozinho, nada muda na espontaneidade de Pedro. A carência mal é notada quando se passa algumas horas com ele. É fácil perceber mais do que um advogado que mora sozinho. Pedro, na verdade, é uma pessoa especialmente simpática e disposta a conversar sobre tudo e qualquer coisa, estando sozinho ou não!
Conto: Relações urbanas Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Ricardo Prado
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Havia mudado há alguns dias, apenas. Deixou a casa dos pais razoavelmente jovem, aos 22 anos, mais pelo seu senso de aventura do que por alguma possível busca por liberdade. O apartamento simplório que arrumou no segundo andar de um desses prédios de três pisos não comportava mais do que ele próprio. Talvez um animal se encaixasse por lá, mas teria que ter muito jogo de cintura e paciência de esperar o dono durante as 14 horas que passava fora de casa, no trabalho.
Como o edifício fora construído num tempo em que elevadores ainda se popularizavam, não havia nenhum. Mesmo quem morava no terceiro andar não via problema em fazer um exercício para chegar em casa (tornavam-se menos compreensíveis quando carregavam sacolas pesadas). Contudo, era mais fácil parar para conversar com algum vizinho e, assim, gastar mais calorias. O caso dele era curioso. Por mais que morasse por lá há pouco dias, já conversava com uma vizinha, que talvez morasse no segundo também ou no terceiro. Era bonita, tinha cabelos curtos e lisos. Andava sempre com uma mochila surrada, aparentemente cheia de tesouros. Sempre coincidia de chegarem juntos de algum lugar, então subiam as escadas conversando, até chegar ao segundo andar, onde ele se despedia.
Poderia se tratar de uma formidável love story, mas o que surgia entre o dois era um tanto mais delicado. Começaram a criar um vínculo único naquela mísera fração do dia em que se encontravam (isso quando se encontravam), e nem sabiam os nomes um do outro.
— Tudo bem? — ele perguntou, num dia qualquer. Ela estava com os olhos marejados.
— Tudo.
Passou a perceber que realmente ela morava no terceiro andar. Demorou mais do que o normal de propósito para abrir a porta e viu que ela subia as últimas escadarias. Certo. Tinha mais informação. Ou, tinha informação. Qual seria o próximo passo? Saber seu nome?
— Às vezes a gente fica duas horas no trânsito enquanto a pé demoraria até menos. — ela reclamou um dia, vindo enfurecida do trabalho.
— Você trabalha no quê? — perguntou, mas logo percebeu que já estava diante de seu apartamento.
— Até amanhã.
— Até.
Essa relação silenciosa e anônima entre os dois durou bastante tempo. Ele chegou a namorar, noivar, terminar, ser promovido, brigar com o chefe, se demitir e passar a trabalhar no outro lado da cidade. Ela perdeu a mãe, cuidou de todos os detalhes do velório sem a ajuda da família, passou a cuidar de um sobrinho pequeno, conseguiu um emprego como cronista em um jornal e, mais tarde, o posto de correspondente internacional para uma revista estrangeira.
— O tempo tá fechando, né? — ela comentou num dia desses.
— Aí vem chuva.
Aí vieram muitas chuvas. E, por fim, nunca mais se viram.
Muito além do miojo Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Amanda Serra
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E foi assim que a ficha de Carla Nunes caiu. Quando tinha 19 anos prestou vestibular de Farmácia e passou. A universidade era em Campinas, mas a estudante não pensou duas vezes em ir. “Achei que ia ser mais fácil”. Carla nunca conseguiu ficar muito tempo longe da mãe. Não sabe cozinhar, lavar roupa e se arrepia toda só de pensar em arrumar a casa. Quando se mudou, ela confessa que chorava todo dia de saudade da mãe. “Eu chegava da faculdade e não tinha ninguém para conversar comigo. Fiquei sem comer muitos dias, por tristeza e por preguiça de fazer”.
Depois de dois meses vivendo assim, Carla tomou um susto ao ir ao médico. “Ele me disse que estava com anemia profunda e que eu precisava me cuidar”. Com o diagnóstico, Carla passou a se cuidar mais. Como não sabia cozinhar, ela ia a um restaurante por quilo todos os dias e seguia os conselhos do médico. “Comia arroz, feijão, carne e muita salada”, conta. “Passei a me sentir mais disposta”.
Segundo a nutricionista Luciene Dias, a alimentação correta é fundamental ao organismo. “Além de prevenir todas as doenças sobre as quais estamos cansados de ouvir, hipertensão arterial, diabetes, colesterol e triglicérides, comendo bem nosso corpo passa a funcionar melhor”, garante Luciene. “Até a pele sente o efeito do que comemos. Quando nos alimentamos corretamente, a pele e o cabelo ficam hidratados, e as unhas mais fortes”, completa.
O quadro de anemia de Carla logo mudou. Depois de três meses se alimentando corretamente, o exame indicou que a estudante não tinha mais a doença. A futura farmacêutica ainda conseguiu ficar um tempo nessa rotina, mas o problema apareceu quando começou a estagiar. Ela sai de casa de manhã e só volta depois das 20 horas. “Volto sempre muito cansada, minha rotina é exaustiva”. E a alimentação, como ficou? “Infelizmente passei a comer pior. Chego em casa e não tenho ânimo para fazer nada. Como sempre alguma coisa prática, um pão com alguma coisa. Geralmente hambúrguer”, confessa a estudante. “Mas mesmo assim continuo sem anemia”, afirma, sorridente.
Segundo a nutricionista Sandra Merouço, esse é um hábito que percebeu no dia-a-dia do trabalho. “Quando eu faço a análise dos meus pacientes, percebo que dificilmente as pessoas jantam, elas lancham”. E esse novo hábito não está totalmente errado, comenta a especialista “Os sanduíches não estão proibidos da nossa alimentação, o problema é o tipo de lanche que se come. O ideal é um recheio mais leve, porque é ruim a sensação de deitar na cama e se sentir estufado”, explica a médica.
O publicitário Leonardo Lestrade, de 29 anos, acabou de se mudar para São Paulo. Ele trabalhava em Santos em uma TV universitária e morava com o pai e com o irmão. Agora, está em uma agência de publicidade na capital e morando sozinho. “Minha casa ainda está capenga, faltam algumas coisas para eu poder chamar de casa mesmo”. Uma das coisas que faltam é um fogão. Na hora do almoço, Leonardo come perto do trabalho, na Vila Margarida. Mas, na hora da janta, a dupla pão-com-alguma-coisa é a escolhida. “Detono um saco de pão de forma em dois dias”. O lanche preferido de Leonardo é um que aprendeu com a namorada: rosbife ao vinagrete. A carne ele compra pronta no mercado e os ingredientes para o vinagrete, que, segundo o publicitário é meia-boca, ele guarda na geladeira, recém-comprada.
O lanche de Leonardo é aprovado por Sandra. “É saudável, tem proteína, essencial para o organismo. Só faltava uma saladinha, uma rúcula cairia muito bem”, diz.
Para quem tem fogão e prefere jantar, mas chega do trabalho ou da faculdade cansado e não tem ânimo para cozinhar, Sandra dá a dica. “Se a pessoa tem tempo no final de semana, é mais prático planejar um cardápio e ir às compras. Não precisa ser nada elaborado”, explica. “Depois, chegando em casa, você cozinha a comida para a semana toda. Arroz, feijão e a mistura. Aí é só separar em pequenas porções, guardar em potinhos e congelar. Durante a semana, é só descongelar, já está tudo pronto”. Mas ela alerta: é necessário separar em pequenas porções, só com a quantidade que a pessoa vai comer. “Congelar e descongelar um alimento muitas vezes estraga”, diz.
Segundo o IBGE, as pessoas que moram sozinhas gastam mais com alimentos e adquirem mais alimentos do que, inclusive, casais com filhos. O motivo, segundo a nutricionista Luciene, são os alimentos vendidos em grandes quantidades, que acabam estragando com mais facilidade.
Os brasileiros que moram sozinhos compram em um ano 560,68 quilos de comida cada um, mais de 250 quilos acima do que as mulheres solteiras e com filhos, que adquirem, em média, 309,4 quilos, e mais também do que os casais com filhos, que consomem 324,53 quilos de alimentos por pessoa num ano.
Por isso, o planejamento das compras é o ideal. Para comprar somente o que realmente precisamos e não colocarmos no carrinho só besteira, como doces e refrigerante, a nutricionista Sandra tem uma dica infalível. “Experimente ir ao supermercado depois de ter comido. Quando vamos com fome, compramos mais”, garante. “É por isso que as pessoas que moram sozinhas jogam mais alimentos estragados fora”.
A professora Ana Paula do Nascimento faz exatamente isso. “Sempre planejo e organizo a minha compra. Faço uma lista só do que eu realmente preciso”, afirma. Ana Paula mora sozinha há cinco anos e confessa que no começo jogava muita coisa fora. “Uma verdura, por exemplo, eu comprava e ia metade fora. E olha que eu como bastante salada”.
Dicas: Rosbife ao vinagrete
Ingredientes:
1kg de carne (pode ser qualquer uma)
2 dentes de alho picados
1/3 xícara de vinagre
¾ xícara de azeite
¼ xícara de óleo
1 ½ xícara de água
2 cebolas picadas
2 tomates picados
½ xícara de azeitona verde picada
Sal e pimenta a gosto
Modo de fazer:
Longe de casa…e há bem mais de uma semana… Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Fernanda Segantini
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Tudo começou aos 16 anos quando Conrado, um jovem como outro qualquer, resolveu ir aos Estados Unidos para fazer intercâmbio. Mal sabia ele que a partir daí o desejo de conhecer culturas e lugares novos só aumentaria.De agosto de 2004 a agosto de 2005, o jovem esteve fora do país em sua primeira viagem sozinho, pelo programa Youth Exchange, do Rotary Internacional. Em Pigeon, uma cidadezinha com mil e duzentos habitantes, localizada no Estado do Michigan, Estados Unidos. Foi lá que Conrado conheceu uma diversidade enorme de culturas, hábitos e crenças.
A primeira família com quem morou, tinha três filhos, de idades próximas a dele, eram fazendeiros que plantavam milho, soja, beterraba e feno, eram criadores de porcos e muito religiosos. “Freqüentavam a igreja Menonita (Menonite Church), que é uma igreja protestante, que surgiu da cultura Amish”, explica Conrado. Os três irmãos eram muito diferentes dele nas questões de consciência, religião e criação. Mas nada que impedisse o jovem de fazer amizade com os “irmãos”. Conrado sempre foi uma pessoa muito questionadora com relação aos assuntos ligados a religião. Ele teve que saber administrar muito bem esse contato tão próximo com a fé.
Já na sua segunda experiência, o intercâmbista morou com uma família protestante também, mas da igreja Metodista. O pai, Michael, era pastor. “Como dá para perceber, para uma pessoa que questionava a religião, eu tive que ligar a questão da crença e religião de uma maneira muito intensa e profunda”. Nessa família, Conrado tinha duas “irmãzinhas”, uma de 3 anos e outra de 4 anos, já Michael e sua esposa, tinham 30 anos e 29 anos, respectivamente. “Eles tornaram-se grandes amigos, conversávamos durante horas. Eram muito legais, me davam abertura para conversar de igual para igual”.
Vindo de família católica, mas nunca se considerando um, Conrado sempre se definiu muito cético, nunca sabendo no que acreditar colocando um “ponto final”, está sempre estudando essas questões. “Morando quase um ano inteiro com famílias extremamente religiosas me trouxe muita informação nova, mas meus questionamentos continuam, agora mais complexos”.
O jovem explica que estar sozinho faz a pessoa se conhecer muito melhor. Identifica seus limites, decifra seus pensamentos e cresce, muito. Quando isso acontece extremamente longe de qualquer coisa ou pessoa que conheça ou tenha intimidade, tudo fica muito mais intenso. Ele julga que a capacidade de flexibilidade e adaptação em todos os sentidos e cenários, é muito importante para não acabar entrando em depressão, se chateando ou se decepcionando quando as coisas não acontecem como o esperado, ou quando as pessoas ao seu redor não reagem da maneira que gostaria que fosse.
Conrado acredita que uma pessoa fechada não conseguiria freqüentar a igreja durante o período de um ano por quase duas ou três vezes por semana, principalmente uma pessoa cética ou quase sem religião.
Após a viagem de intercâmbio, onde teve contato com culturas, crenças e hábitos diferentes, a paixão de Conrado por essas coisas, aumentou muito. “Meu interesse pelo ‘diferente’ se tornou ainda mais claro durante meu intercâmbio, onde eu tive a chance de conhecer pessoas do mundo inteiro”.
Após seu intercâmbio, o jovem questionador decidiu cursar Relações Internacionais. Atualmente, com 20 anos, leva como meta de vida conhecer o maior número de pessoas e culturas.
Jacarelado Outubro 23, 2008
Posted by Redação Sós in Uncategorized.Tags: Dicas da mamãe
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Parece vidro, mas não é, parece caro, mas não é, parece dificil, mas não é. Nessa edição, você aprende a técnica do Jacarelado, para deixar aquela caixinha sem graça que você tem guardada em algum lugar, em uma peça linda e colorida para enfeitar a casa.
Você vai precisar de:
* 1 caixa de madeira
* tinta branca
* tinta para superficie
* verniz vitral (nas cores que quiser)
* cola branca
* palito de churrasco
Assim que faz, ó:
1 – pintar a caixa com a tinta de superfície
2 – cobrir a tampa, ou o lado escolhido, com uma camada de cola branca
3 – pingue o verniz vitral usando a ponta do palito. Sem espalhar, disponha os pingos pela superficie a seu modo.
A caixa está pronta. Espere secar sem deixar enclinar, para que a cola não escorra.
Editorial Outubro 23, 2008
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Sua companheira! Essa foi a idéia inicial para criarmos a Revista Sós. Depois de diversas reuniões fomos discutindo e focando qual seria realmente a intenção da publicação. Foi então que encontramos um milhão de novidades, pautas, dúvidas e questionamentos que qualquer pessoa que mora sozinha teria, seja ela adolescente, de meia ou terceira idade.Por isso, aqui na Sós vamos tratar de dilemas e diversão, de perguntas e soluções e de novidades e informações. Nela vamos dar dicas que vão facilitar sua vida. Afinal, para nós, morar sozinho não é nenhum tormento, apenas é preciso saber lidar com essa situação, que, para muito pode ser mais difícil do que esperam.
Nossas matérias foram escolhidas a dedo, só para ajudar e fazer você se distrair enquanto está boiando em casa. Até porque para quem mora sozinho um dos programas preferidos é curtir uma boa leitura.
Aqui nesta edição piloto você encontra reportagens aprofundadas que vão desde o melhor momento para sair de casa até sobre os melhores animais de estimação para quem está só. Mas não paramos por aí, explicamos também os segredos de uma alimentação adequada quando não estamos com a mãe por perto, além de dicas de casa, cozinha e economia e perfis de pessoas como você, que preferem levar a vida independente. Afinal, morar sozinho não é ser sozinho, é apenas curtir a vida de uma maneira diferente!
Revista Sós, bom divertimento!






